A resposta curta
Uma máquina própria custa dinheiro todo ano, esteja rodando ou não. Some o custo de propriedade (depreciação ou reserva de reposição, financiamento, seguro, licenciamento, armazenagem) ao custo operacional (combustível, manutenção, peças de desgaste, reparos) e divida pelas horas que você realisticamente a usa. Esse valor por hora é o que deve ser lançado em uma obra.
Definições
- Custo de propriedade
- O que a máquina custa por existir: valor consumido ao longo da vida útil, juros do financiamento, seguro, licenciamento e armazenagem.
- Custo operacional
- O que custa enquanto funciona: combustível, óleo, filtros, lâminas, pneus, esteiras, revisões programadas e reparos.
- Horas de utilização
- As horas que você realmente coloca nela em um ano. Não as horas em que ela está disponível.
- Reserva de reposição
- Dinheiro separado para que a próxima máquina possa ser comprada sem financiá-la sob pressão. É um custo de usar esta.
As fórmulas
Custo anual de propriedade = valor consumido + juros + seguro + armazenagem + licenciamento
Custo operacional anual = combustível + manutenção + peças de desgaste + reparos
Custo do equipamento por hora = (custo anual de propriedade + custo operacional anual) ÷ horas anuais de utilização
Custo do equipamento em uma obra = horas usadas × custo por hora
Exemplo prático: montando o valor por hora
Uma máquina comprada por R$ 42.000,00, com valor esperado de R$ 12.000,00 depois de seis anos, usada cerca de 350 horas por ano:
- Valor consumido: (R$ 42.000,00 − R$ 12.000,00) ÷ 6 anos = R$ 5.000,00 por ano
- Seguro, licenciamento e armazenagem: R$ 1.400,00 por ano
- Combustível: 350 horas × R$ 6,00 = R$ 2.100,00 por ano
- Manutenção, peças de desgaste e reparos: R$ 2.850,00 por ano
- Custo anual total: R$ 11.350,00
- Custo por hora: R$ 11.350,00 ÷ 350 = R$ 32,43 por hora
Cada número acima é um dado que você informa sobre a sua própria máquina — não há tabela do setor por trás deles. Mude a utilização para 700 horas e o valor cai mais ou menos pela metade; essa sensibilidade é justamente o ponto do exercício.
Onde o valor entra no custo da obra
Lançado em uma obra por, digamos, cerca de 32 horas de uso, o equipamento vira uma linha própria em vez de um arredondamento escondido na mão de obra:
- Material: R$ 4.200,00
- Mão de obra com encargos: R$ 6.800,00
- Equipamentos: R$ 1.050,00
- Subempreiteiros: R$ 0,00
- Descarte de resíduos: R$ 450,00
- Licenças e taxas: R$ 300,00
- Mobilização e entrega: R$ 400,00
- Outros custos diretos: R$ 0,00
- Custo direto: R$ 13.200,00
Manter o equipamento visível é o que torna possível a comparação depois: se a máquina custa mais por hora do que alugar a mesma coisa, você quer descobrir isso pelos seus próprios números, e não por intuição.
Ter ou alugar é uma questão de utilização
Ter a máquina distribui um custo anual fixo pelas suas horas; o aluguel converte a mesma capacidade em um custo por uso, sem cobrança fixa. Abaixo de um certo número de horas por ano, alugar sai mais barato por hora quase por aritmética. A RHACOVA não publica um ponto de virada, porque ele depende da sua máquina, dos seus valores e da sua utilização — mas, com o valor por hora acima, você pode calcular o seu próprio ponto de virada em vez de adivinhar.
Erros comuns
- Tratar uma máquina quitada como gratuita e não lançar nada nas obras por ela.
- Lançar a parcela do financiamento em vez do custo — a parcela acaba, o custo não.
- Dividir pelas horas disponíveis em vez das horas realmente usadas.
- Enterrar o equipamento dentro da linha de mão de obra, o que destrói a comparação com o realizado — veja custo real da obra e mão de obra própria vs subempreiteiros.
Respostas rápidas
- Uma máquina quitada é de graça?
- Não. Ela continua consumindo combustível, manutenção, seguro, armazenagem e o próprio valor de revenda que ainda tem, e um dia terá de ser substituída.
- Equipamento é custo indireto ou custo da obra?
- O equipamento usado em obras específicas é melhor lançado nessas obras por um valor por hora. O equipamento que não se consegue atribuir a nenhuma obra fica nos custos indiretos — mas aí o preço de toda obra precisa carregá-lo.
- Por quantas horas devo dividir?
- Pelas horas em que você realisticamente o usa, não pelas horas em que está disponível. Dividir por uma utilização otimista subestima o valor.
Faça as contas
Soma cada classe de custo da obra e, se você quiser, uma parcela explícita de custos indiretos.
Gratuita, sem cadastro, e o resultado fica na página.
Custeie o equipamento como uma classe própria
Um Orçamento da RHACOVA mantém o equipamento como uma classe de custo separada, para que ele nunca suma dentro de uma linha de mão de obra e possa ser comparado com o realizado na Obra.
Começar um orçamentoComo a RHACOVA define estes termos
Todas as calculadoras, orçamentos e obras da RHACOVA usam um único conjunto de definições financeiras, escritas por extenso em vez de subentendidas. Leia a metodologia da RHACOVA para ver a lista completa de definições em que este artigo se baseia.
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