A resposta curta
Enquanto uma obra decorre, existem em simultâneo três valores de custo: o custo já incorrido e registado, o que já comprometeu mas ainda não passou a custo real e o que ainda está para vir. Na RHACOVA, a previsão para concluir cobre tudo o que falta — incluindo os compromissos em aberto —, e o custo final previsto é o custo real mais essa previsão. Os compromissos são apresentados à parte, para controlo, e nunca são somados outra vez. Olhar apenas para as faturas recebidas faz a obra parecer saudável até chegarem as faturas dos subempreiteiros.
Definições
- Custo real até à data
- Custos já incorridos e registados na obra — faturas recebidas, salários processados, materiais entregues —, tenham ou não sido pagos. Um custo registado não é uma conta a pagar, um pagamento nem um movimento de caixa.
- Custo comprometido
- Montante que a empresa já se obrigou a gastar, mas que ainda não foi registado como custo real: um contrato de subempreitada assinado, uma nota de encomenda emitida, um aluguer confirmado. Na RHACOVA, os compromissos em aberto são apresentados à parte como exposição e controlo.
- Custo para concluir (previsão para concluir)
- Todo o custo restante esperado para terminar o trabalho, incluindo os compromissos ainda não registados como custo real, estimado a partir do que falta fazer — não do que resta no orçamento.
- Custo final previsto
- Real + previsão para concluir. Uma estimativa do custo final, explicitamente ainda uma previsão.
As fórmulas
Custo final previsto = custo real até à data + previsão para concluir
Desvio previsto = custo final previsto − custo orçamentado da base
Lucro previsto = valor atual do contrato − custo final previsto
A previsão para concluir já inclui os compromissos em aberto. Se preferir acompanhar os compromissos numa linha própria, a parte “ainda por fazer” tem de os excluir — o mesmo compromisso nunca pode ser contado duas vezes.
Exemplo prático: uma obra na terceira semana
Custo orçamentado da base 30 000,00 €; valor do contrato 40 000,00 €. No fim da terceira semana, a situação é:
- Custo real — faturas recebidas e salários processados: 18 400,00 €
- Previsão para concluir, que inclui: 19 500,00 €
- Comprometido — subempreitada de eletricidade assinada, ainda não faturada: 7500,00 €
- Comprometido — nota de encomenda de equipamentos sanitários e iluminação, ainda não entregue: 6400,00 €
- Ainda por vir — dois dias de mão de obra de acabamentos e resíduos: 5600,00 €
- Custo final previsto (real + previsão para concluir): 37 900,00 €
Os 13 900,00 € de compromissos em aberto são apresentados à parte como exposição. Já estão dentro da previsão para concluir; somá-los outra vez inflacionaria o custo final.
Lendo só as faturas, a obra gastou 18 400,00 € de um orçamento de 30 000,00 €: confortável. Lendo os compromissos, a previsão é de 37 900,00 € face a um orçamento de 30 000,00 € — uma derrapagem prevista de 7900,00 € que se conhece já na terceira semana, enquanto ainda há tempo para agir.
O que ainda é desconhecido a meio da obra
Mesmo com uma boa previsão, alguns valores ainda não são factos. Comparar um custo real parcial de 32 300,00 € com um orçamento de 30 000,00 € produz um desvio de custo de 2300,00 €, mas o resultado final continua em aberto:
- Lucro esperado no orçamento: 10 000,00 €
- Lucro final: desconhecido até se conhecer a receita final
A RHACOVA apresenta essa lacuna como desconhecida em vez de a preencher com a receita orçamentada. Uma previsão que se vê é útil; uma previsão disfarçada de resultado é a forma de uma obra o surpreender no fecho.
A percentagem de execução tem de vir do trabalho
Medir o progresso pelo custo gasto é circular: uma obra que derrapa parece mais adiantada precisamente porque gastou mais. Baseie a percentagem de execução no trabalho que falta — unidades instaladas, divisões terminadas, dias de mão de obra em falta — e deixe a comparação de custos dizer-lhe se esse progresso custou o que devia.
Erros comuns
- Acompanhar só as faturas recebidas e chamar-lhe custo da obra.
- Contar a receita de um trabalho a mais na previsão antes de ser aprovado.
- Deixar de fora da previsão subempreitadas comprometidas até chegar a fatura.
- Somar os compromissos em aberto por cima de uma previsão para concluir que já os inclui.
- Tratar uma previsão a meio da obra como resultado final — essa distinção é todo o sentido de fechar bem uma obra e de orçamentado vs real.
Respostas rápidas
- O que é um custo comprometido?
- Um custo a que a empresa já se obrigou, mas que ainda não foi registado como custo real: um contrato de subempreitada assinado, uma nota de encomenda emitida, uma reserva de aluguer confirmada.
- O que é a previsão no fim da obra?
- Na RHACOVA, o custo final previsto é o custo real até à data mais a previsão para concluir, que já inclui os compromissos em aberto — não são somados outra vez. É uma estimativa do custo final e, explicitamente, ainda não é um facto.
- A percentagem de execução é uma medida fiável?
- Só se vier do trabalho que falta, e não do custo gasto. A percentagem baseada no custo mostra a obra mais adiantada precisamente quando está a derrapar.
Faça as contas
Compara o orçamentado com o real e mostra para onde foi a margem.
Gratuita, sem registo, e o resultado fica na página.
Deixe a obra guardar a previsão
As Obras RHACOVA guardam custos reais, custos comprometidos e uma previsão face a uma base congelada, e apresentam o lucro previsto à medida que os valores chegam.
Abrir ObrasComo a RHACOVA define estes termos
Todas as calculadoras, orçamentos e obras da RHACOVA usam um único conjunto de definições financeiras, escritas por extenso em vez de subentendidas. Leia a metodologia da RHACOVA para ver a lista completa de definições em que este artigo se baseia.
Continue a ler
- Orçamentado vs real: como os empreiteiros encontram fugas de lucro
Comparar o custo orçamentado com o custo real de uma obra e interpretar o desvio.
- Como fechar uma obra e medir o resultado final
Fechar corretamente uma obra e medir o seu lucro final.
- O que é o custo real da obra?
Saber que custos pertencem ao custo de uma obra e como somá-los.

